“Gosto mesmo é de amizades à moda antiga, sabe? Daquelas amizades dos velhos tempos, com abraços apertados, cafunés exagerados e beijos na testa ao se cumprimentar e ao se despedir. Amizades de ficar horas em roda jogando conversa fora num fim de tarde de domingo, de rir até a barriga doer. Daquelas amizades que a gente lê em livros dos nossos avós. Daquelas que a gente tem intimidade, que parece mais um casamento, que se aloja no coração e dali não sai. Amizades que não tem preço, que não se compra, que não se acha por aí, são amizades que se conquista. Gosto mesmo é de amizades com poucas palavras e cheias de atitudes, que cumprem sem prometer. Amizades cheia de liberdade, tanto que podemos ligar no meio da madrugada só para dar um boa noite, mesmo que já quase seja hora de dar um bom dia. Amizades que veem e ficam, que fazem a diferença. E mesmo que partam, deixam marcas, boas lembranças. É dessas amizades que eu gosto! Que a gente confia cegamente, que não tem medo de cair porque sabe que terá quem ajudar a por de pé novamente. Amizade que sabe a hora de falar e a hora de ouvir, que sabe dar conselhos na mesma maneira que sabe receber. Amizades de verdade! Que a gente leva para a vida toda. Gosto daquelas amizades de amor puro e sincero, que dizem “eu te amo” através de um olhar. Ah, quem tem, ou já teve, uma amizade dessas, sabe do que eu estou falando. Taxem-me de cafona, antigo, ultrapassado ou atrasado, se quiserem. Não dou importância, é daquelas amizades que eu gosto.
“Acho que o meu erro foi dar prioridade pra você, quando na verdade a única coisa que você merecia era o meu desprezo. Meu erro foi te colocar em primeiro lugar em tudo, mesmo sabendo que eu estava em último lugar na sua vida. Um dos meus maiores erros foi permitir que você entrasse aos poucos na minha vida, que você tomasse um grande espaço dentro de mim, e eu sem me dar conta disso, deixei você entrar. Meu erro foi quando eu deixei de lado todo mundo pra dar atenção exclusivamente pra você, que nunca soube me valorizar. Eu não ligava pra mais ninguém, pra mais nada, só ligava em estar com você. Mas você nunca se tocou disso. Acho que meu erro foi fazer você sentir que me tinha em suas mãos, que poderia me ter toda a hora que você quisesse. Quando as pessoas te esqueciam, você me procurava, achando que eu estaria ali pra você mais uma vez. E de fato eu estava, e esse foi meu erro. Estar disponivel pra você quando ninguém te queria por perto. Quando todos estão ocupados demais pra você. E só assim você lembrava de mim. Meu erro foi deixar você dominar todos os dias o meu pensamento, todas as noites antes de dormir você está lá. Acho que meu erro foi deixar que você tomasse conta de mim, que me fizesse gostar mais de você a cada dia que passava, que me prendesse de alguma maneira, não me deixando ir embora da sua vida, ou melhor, não deixando eu mandar você embora de vez da minha vida. Meu erro foi ter gostado de você desde o primeiro momento. E droga, eu não podia ter gostado de você, entende? Eu queria ter sentido outro sentimento por você, mas gostar da maneira como eu te gosto, eu não podia. Esse foi mais um dos meus erros em relação a você, ter permitido que você me tenha. Ter deixado eu estar em suas mãos, mesmo sem eu perceber. Meu erro foi ter gostado de você da sua maneira, de todos os seus defeitos. Até das suas crises, ciúmes, momentos de raiva, de afeto. Meu erro foi ter me encantado com você, com suas manias, foi ter gostado de tudo o que envolvia você. Até das suas músicas, que não faziam o meu gosto, eu acabei gostando. Meu erro foi passar grande parte do meu dia te colocando nos meus planos para o futuro, mesmo sabendo que isso poderia nunca se tornar real. Mas você estava lá, em tudo o que eu planejava pra mim, nas viagens, nas festas de família, em ter filhos com você. Meu erro foi deixar os meus pensamentos irem além. E acho que meu maior erro foi amar você. E desse erro, eu não me arrependo de ter cometido.
“Eu sei como é tudo isso. Eu sei como é se segurar e deixar para chorar só quando chegar em casa, debaixo do chuveiro pra ninguém perceber. Eu sei como é refletir sobre a vida antes de dormir e se certificar de que ninguém está te ouvindo, para começar a soluçar. Eu sei o quanto é cansativo, correr atrás de alguém que sequer se importa com você. Eu sei o quanto é doloroso fingir que vai ao banheiro só pra lavar o rosto e se recompor. Eu sei como é ter os olhos úmidos e aquele medo de não conseguir ser forte o suficiente para segurar as lágrimas em público. Eu sei como é sentir aquele nó enorme na garganta, que sufoca, que asfixia, que não tem como não desabar. Eu sei como é sentar na cama, pegar o travesseiro e chorar horas, por motivos que já deveriam ser esquecidos. Eu sei o quanto é difícil sorrir quando a maior vontade é chorar. Acredite, eu realmente sei como é tudo isso. E confesso, não é nada fácil.
“Mas depois que sonhei com você, sonho esse que estou quase me convencendo que foi o meu subconsciente, me dizendo que eu não me curei porra nenhuma e que eu amo você de uma maneira incrível e contraditória.